A tese de doutorado “Sistemas da Memória: empreendedores, trabalhos e sítios na América Latina, 1978-2022” (2026) foi desenvolvida por Rebeca Lopes Cabral, com a orientação do Prof. Renato Cymbalista, na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
O trabalho aborda os sistemas da memória na América Latina: os arranjos institucionais, simbólicos, materiais, técnicos, afetivos, econômicos e espaciais que tornam possível a construção pública de sentidos contra-hegemônicos do passado. Esses sistemas compreendem arquivos, fontes de financiamento, políticas públicas, práticas pedagógicas, arqueológicas, artísticas, museológicas e de preservação, bem como sítios de memória e consciência.
Uma parte da tese examina a construção do campo do empreendedorismo da memória, sobretudo no que se refere às ditaduras civil militares na América Latina. A ênfase recai sobre como instituições argentinas foram viabilizadas a partir de suas relações com doadores. A outra parte concentra-se em sítios de memória e consciência instalados em antigos Centros Clandestinos de Detenção, Tortura e Extermínio, na Argentina e no Brasil.
O trabalho privilegia o plano infraestrutural da memória, com atenção às formas pelas quais instituições e técnicos da memória se viabilizam e se transformam a partir desses sistemas e por meio deles. A tese analisa as trajetórias dos empreendedores da memória, as redes de atores — locais e estrangeiros —, as dinâmicas de cooperação internacional e os dispositivos técnicos, administrativos e simbólicos que sustentam a memória. Evidencia a dimensão do financiamento. Mostra que a memória é construída por meio de interações e disputas que também envolvem — e transformam — atores estrangeiros e profissionais. Assim, explora as dinâmicas geopolíticas e as estratégias transnacionais de viabilização que atravessam tais processos.
Acesse a tese e a base de dados. As entrevistas devem ser solicitadas via e-mail: rebecalc4@gmail.com.
Imagem destacada: Emílio Mignone em seu escritório, s/d. Fonte: Memoria Abierta.





