Eletromagnetismo e arte

O eletromagnetismo é considerado uma das quatro forças básicas da física. Há mais de 100 anos, as ondas têm sido usadas para transferências de sinal, rádio, TV, sistemas de alarme, radar, sensores e outras possibilidades. Mas são poucos os centros de pesquisa no mundo que colocam a arte como um dos focos na perspectiva de exploração das ondas eletromagnéticas.

O RIXC, em Riga, Letônia é uma pequena organização que se estabeleceu nos circuitos da net-cultura e da arte e mídia internacional com atuação em torno de projetos explorando o espectro eletromagnético (o rádio por exemplo) como meio artístico. Eventos como o festival Waves acontecem no centro desde 2006. Os motivos desse interesse são vários. A “descoberta” no país do radiotelescópio Irbene, instalado pela União Soviética nos anos 1970, e que foi deixado para trás quando a Letônia se tornou independente em 1993 é um desses atratores. Pesquisadores, astrônomos e artistas se uniram desde então em uma comunidade que utiliza os recursos de radioastronomia para os mais diversos propósitos. O mesmo aconteceu em Skrunda, uma cidade praticamente abandonada entre Riga e Liepaja, onde existiu por muitos anos um potente radar de alerta contra mísseis balísticos, o Skrunda 1, e que produzia efeitos colaterais no entorno tão interessantes como preocupantes.

São casos curiosos de uma confluência entre arte e ciência que raramente vemos acontecer de forma muito profícua no Brasil, e que surgiram na Letônia  justamente a partir do interesse por campos eletromagnéticos.

Lucas Bambozzi viajou à Letonia como parte de sua pesquisa de doutorado na FAU.

lbambozzi

Lucas é artista e pesquisador em mídias digitais. Trabalha em meios como vídeo, filme, instalação, obras site-specific, performances audiovisuais e projetos interativos. Seus trabalhos já foram mostrados em mais de 40 países. Foi curador do Sónar SP (2004), Life Goes Mobile (2004-2005), ON_OFF (Itau Cultural 2012-2015), do projeto Multitude (2014) e do Visualismo, Arte, Tecnologia, Cidade (2015). É um dos criadores do arte.mov festival de arte em mídias móveis (2006-2012), do Labmovel (2012-2016) e do AVXLab (2017). Foi artista residente no Caiia-Star Centre/i-Dat e concluiu seu Mphil na universidade de Plymouth, Inglaterra. É doutorando na FAU USP e professor no curso de Artes Visuais na FAAP, em São Paulo. Dedica-se à exploração de novos formatos de arte envolvendo meios de comunicação com ênfase em projetos envolvendo campos informacionais em espaço públicos.