Vila Itororó: Uma história em três atos

O Instituto Pedra e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo lançam na quinta-feira, 22 de fevereiro, o livro “Vila Itororó: uma história em três atos”, de Sarah Feldman e Ana Castro.

A obra acompanha a trajetória da Vila Itororó, desde sua idealização e construção por Francisco de Castro, num momento crucial de modernização de São Paulo, no início do século XX, passando pelas dinâmicas internas do conjunto após a morte de seu construtor, até quando a função residencial no espaço passa a ser ameaçada.

Sarah Feldman e Ana Castro propõem uma história da Vila Itororó como parte das dinâmicas e contradições da complexa metrópole paulistana, e não como um objeto isolado. A partir das relações com as transformações da cidade e do entorno, as autoras investigam a sobrevivência da Vila como um espaço de moradia de aluguel durante todo o século XX e as formas de apropriação deste importante conjunto arquitetônico pelas diferentes gerações que lá viveram.

Apoiada numa ampla pesquisa em arquivos e acervos, mesclada a entrevistas com ex-moradores e familiares de seu idealizador, a obra é o segundo livro da série Cadernos Vila Itororó Canteiro Aberto editados pelo Instituto Pedra e pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Os livros serão distribuídos gratuitamente.
Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018, 19h30
Rua Pedroso, 238 – Bela Vista – São Paulo (próximo ao metrô São Joaquim)
Leia um trecho:
Bizarra, “sui generis”, pitoresca, surrealista. Estes são alguns dos adjetivos que há quase cem anos são atribuídos à Vila Itororó – a indecifrável construção que no início do século XX se impôs na encosta de um dos muitos vales que permaneciam intactos na São Paulo que não parava de crescer. A obra, seu construtor, sua transformação em um centro cultural, têm sido comentados, explicados, analisados,  justificados, de modo geral única e exclusivamente pela sua excepcionalidade.
[…]
Interessa-nos pensar a história da Vila Itororó como uma constante reconstrução a partir do presente e inverter aquele raciocínio, reconhecendo sua excepcionalidade não como ponto de chegada, mas como ponto de partida. Buscamos assim desfazer algumas nebulosas que, por vezes, a congelam no tempo e no espaço. Os três atos que organizam este texto se distinguem por diferentes tramas, diferentes atores e, portanto, por diferentes olhares e/ou diferentes formas de apropriação do espaço da Vila.
[…]
Como se realiza esta obra idealizada por um único personagem num momento crucial de modernização de São Paulo no início do século 20? Esta é a pergunta que leva a recuperar a construção da Vila a partir da trajetória de Francisco de Castro, e nesse cruzamento revelar os lugares que ocupou, suas redes e inserções em São Paulo, para situar a Vila e sua construção nos caminhos e descaminhos da capital, quando se definem tendências duradouras de seu crescimento e de seu protagonismo no cenário nacional. A Vila foi um canteiro de obras para seu proprietário e construtor por cerca de 20 anos. Nesse processo, Castro associou o sonho ao trabalho, o útil ao excepcional, construindo, reconstruindo, compondo e recompondo cada detalhe de seu ambicioso projeto que, afinal, não se finaliza.